Doce Caos de Fazer Anos

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Nesta edição do “Cronicamente Dramática”, Rita Cardona, inspirada no seu grande dia, mergulha no doce e imprevisível caos de soprar velas. Entre tios desorientados, bolos ambiciosos e o coro da Santa Vergonha, revela-se o verdadeiro espetáculo anual: fingir calma enquanto tudo arde em confetes. Uma crónica sobre a arte de sobreviver ao próprio aniversário.


Aniversários… ai, aniversários.
Nem parece que passamos a semana anterior toda a fingir calma, quando na verdade já tínhamos o outfit escolhido há três meses, a playlist pronta e um Excel com quem se vai sentar ao lado de quem para evitar guerras civis.
Mas claro, dizemos sempre:
— “Vai ser uma coisa simples.”
Simples: Só 43 stories, três familiares promovidos a fotógrafos oficiais e um bolo digno do MasterChef.

— “Falando no bolo, onde é que estão as velas?!”
Há sempre um tio que se lembra das velas dez minutos antes dos “Parabéns” e volta triunfante da loja do chinês com um “3” e um “2”, quando na verdade fazes 18. Tudo bem, é o gesto (e a confusão estética) que conta.

Depois vem o momento mais teatral da vida: os “Parabéns”.
As luzes apagam-se, o silêncio instala-se e quinze pessoas encaram-te como se o oxigénio do planeta dependesse da tua reação.
Alguém, corajoso ou distraído, começa o “Paaaaraaa…” e lá vai tudo atrás, uns esganiçados, outros em falsete, palmas fora de ritmo e flashes dignos de interrogatório da PSP.
E tu, no centro, sem saber se bates palmas, se cantas ou se finges desmaio para abreviar.

Em relação ao bolo, há sempre quem diga “Espero que seja de chocolate!” e descubra que é maracujá com recheio de framboesas e pistácio com flores comestíveis, porque decidiste inovar.
E vem o dilema: quem come a primeira fatia?
Ora, sendo o meu aniversário, devia ser eu, não é?
Mas pronto… ofereço a alguém próximo, só para parecer educada e nada egocêntrica.

Entre velas tortas, cânticos desafinados e bolo experimental, há algo bonito: o aniversário é a desculpa perfeita para juntar os nossos maluquinhos preferidos e fingir que tudo correu como planeado.

Viver a vida é um privilégio, e poder celebrá-la ao pé de quem mais amamos ainda mais. Porque no fim, o bolo acaba, as velas apagam-se, mas os risos, esses, ficam.

E pronto… que venham mais dias assim, com drama, bolo e gente boa.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem da capa: Pinterest

Escrito por: Rita Cardona

Editado por: Rodrigo Caeiro

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