Sempre que oiço a música “Para onde vai o amor quando acaba?”, da Bárbara Tinoco, fico presa a essa pergunta. Talvez porque, na verdade, todos nós já nos questionámos isso – após um amor que termina, depois de alguém que deixa de estar. Onde ficam os sentimentos que pareciam tão imensos?
O amor não desaparece, apenas muda de forma. Vivemos numa geração que ama depressa e esquece depressa, mas o amor nunca se apaga completamente.
Para além de ser uma música com a qual eu tanto me identifico, é também uma constante na minha mente – e talvez ninguém tenha mesmo a resposta. Hoje vivemos amores curtos e intensos, que começam com pressa e terminam sem aviso. Mas será que o amor se apaga de vez, ou apenas se transforma em algo que não sabemos reconhecer?
Vivemos numa era em que o amor é tão público quanto descartável. Partilhamos fotos, músicas, declarações, e no fim, apagamos tudo com a mesma facilidade.
O amor contemporâneo é, acima de tudo, fugaz. Grande parte das nossas relações nascem pelas redes sociais e morrem por mensagem. É sentido com urgência, mas é algo difícil de sustentar. Pode ser rápido, pode ser sincero, mas é transitório. E talvez seja isso que o amor hoje em dia é: uma sucessão de começos e despedidas, de histórias breves, mas intensas, que nos mudam o suficiente para deixarem marca.
E, mesmo que o amor termine, há sempre algo bonito no simples facto de o termos vivido. Há pessoas que passam por nós e não ficam para sempre, mas mudam-nos para sempre. Talvez seja essa a verdadeira função do amor – ensinar-nos a reconhecer quem somos quando amamos alguém.
Talvez o amor não vá a lado nenhum. Talvez o amor fique connosco, transformado em memórias. O sentimento desaparece, mas a melancolia e o que aprendemos com ele há-de sempre ficar. E é isso que faz com que o amor nunca desapareça.
Se calhar, quando acaba, o amor continua dentro de nós, em silêncio.
Este artigo é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Pinterest
Escrito por: Carolina Viana
Editado por: Rodrigo Caeiro


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