Nepotismo: a praga do mundo da moda?

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No mês passado, a indústria da moda anunciou que Jaden Smith se tornou o novo diretor criativo da linha masculina da marca Christian Louboutin. É a primeira vez desde a fundação desta casa da moda que alguém sem ser o próprio Christian Louboutins assume o controlo criativo da marca- um momento verdadeiramente marcante para a história da moda.

Esta notícia não foi surpreendente para muitas pessoas, uma vez que Jaden é considerado por muitos como um “nepo baby”, uma vez que o seu pai é Will Smith, um célebre ator de Hollywood. Sendo assim, surge inevitavelmente a questão: será que Jaden foi selecionado por Louboutin por conta do seu talento, ou apenas porque é filho de um famoso?

Fonte: Christian Louboutin

A verdade é que a tendência dos diferentes nomes da moda aderirem ao nepotismo está a ganhar cada vez mais força; temos o exemplo da filha de Kate Moss, Lila Moss, a “dominar”- ou a tentar fazê-lo -a passerelle do mais recente desfile de Victoria’s Secret, o que não despertou entusiasmo aos críticos da moda, e com razão. Com isto, é impossível ignorar o facto de que a indústria da moda celebra o nepotismo, utilizando-o como uma espécie de técnica de marketing “em piloto automático” que, realmente, nunca falha. 

Obviamente, não considero que seja justo culpar os pais famosos que se esforçaram para estar numa situação privilegiada por quererem passar os seus contatos e conhecimentos aos seus filhos; isso é algo que qualquer pai ou mãe sonharia em fazer. Além disso, não posso negar que existem nepo babies que realmente trouxeram diferença para o mundo da moda, como a incrível designer Stella McCartney, que expandiu o vestuário sustentável e ético.

Ainda assim, a indústria da moda já está saturada com dinâmicas semelhantes, o que apaga a sua verdadeira essência: criatividade e diversidade. Tal como Miuccia Prada o disse, “A inovação na moda é essencial; sem ela, estaríamos a repetir eternamente o passado”. Não podemos (nem devemos) deixar a moda ignorar novos talentos em favor de ADN antigo e usado, pois essa é a única maneira de evitar a sua irrelevância. 

Tenho a certeza que há milhares de pessoas extremamente talentosas e com visões únicas para o campo estético; a única coisa que precisa ser feita pelas grandes marcas é apontar os holofotes a quem não nasceu na primeira fila, tal como aconteceu com Alexander McQueen, e aí é que veremos a paixão pela inovação e estilo refletida nas passarelas, que é onde sempre deveria ter estado.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: http://euronews.com

Escrito por: Luana Tomé

Editado por: Margarida Simões

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