Sonhadorismo: o que é?

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Rui Loureiro é o autor do livro “Sonhadorismo – Porque Os Teus Sonhos Importam”, onde compila diversos textos que foi escrevendo ao longo de anos, transformando-o num “pequeno manual para mentes inquietas que SONHAM mudar o (SEU) mundo”. No entanto, o que é este novo e estranho conceito?

Fonte: One Frazzled Mum

A palavra Sonhadorismo é um conceito utilizado por Rui Loureiro, sendo a junção entre Sonho e Empreendedorismo. Esta decifra-se como “uma forma de estar na vida; de a olhar e encarar”, sendo utilizada de modo a conduzir as pessoas a usarem todo o seu potencial ao seguirem os seus sonhos, sem nenhum receio e obstáculo alheios.

O autor do livro contesta profundamente os jovens acomodados com o presente, sem irem em busca de um futuro melhor. Apela, principalmente, ao facto de muitos jovens não procurarem distinguir-se dos restantes, não se desafiando. Assim, utiliza o Sonhadorismo como o “acelerador de mudança individual, com base na conexão com as paixões de cada um”. No entanto, partilha que, jamais este livro será um guião perfeito para cada um de nós ser capaz de alcançar os nossos maiores objetivos, apenas sendo uma ajuda para nos autodescobrirmos e analisarmos o mundo ao nosso redor.

O manual, para além de uma introdução, tem cinco diferentes capítulos: “O que é o Sonhadorismo”; “Armadilhas”; “Dicas”; “Mitos e Lendas”; “O Poder de Seguires os Teus Sonhos”. Em todos estes é perfeitamente notável a paixão de Rui Loureiro que o levou a realizar todos os seus projetos relacionados com o Sonhadorismo tendo, inclusive, um podcast. O autor partilha e reforça que acredita profundamente que cada jovem, sem exceção alguma, tem dentro de si o potencial para mudar o (seu) mundo.

Rui chega a afirmar que este conceito pode ser traduzido para Movimento Ativista pela Autodeterminação À Conquista dos Nossos Sonhos, visto que pretende influenciar e auxiliar todos aqueles que, pelo simples facto de desejarem e procurarem felicidade, se conectam com as suas paixões e desenvolvem-nas, impactando tanto o seu mundo como o de todos ao seu redor. No entanto, desconstrói, ao longo do livro, a ideia de que os sonhos só poderão ser realizados se forem “realistas”, ou seja, por muito insignificantes que pareçam os nossos objetivos, devemos sempre procurar realizá-los porque toda essa experiência, mesmo que não tenha o melhor resultado, fornecerá diversas aprendizagens úteis para o caminho que temos a percorrer.

Fonte: Atlantic Bookshop

Aprende-se, ao longo desta leitura, que nunca devemos decidir de acordo com as opiniões dos outros em relação aos nossos sonhos, especialmente se nos fizerem duvidar destes. A decisão final apenas tem de vir de quem vai experienciar o percurso determinado para si mesmo. Devemos sempre ter noção de que “as lentes com que essas pessoas veem o teu Sonho não são as mesmas com que tu o vês”.

O próprio autor partilha a sua experiência de, após ter concluído um curso universitário de 5 anos vocacionado para o ensino, decidiu abandonar esse percurso, tendo ido viver para a Austrália. E, mesmo tendo sido criticado, continuou a dar aulas após a sua ida para a Austrália, tendo tido também a oportunidade de aplicar todas as competências que foi desenvolvendo em diversos projetos. Assim, convida-nos a sair da nossa rotina aprisionadora, a ser destemidos e a superar os nossos medos, tendo em conta que a vulnerabilidade e a incerteza são, também, ingredientes para o sucesso.

Esta inspiradora leitura faz-nos refletir bastante sobre o que consideramos sonhos, ou seja, algo que nos deixaria realmente felizes ao realizar, e o que consideramos “correto”, seguindo as normas da sociedade. É uma provocação para mudarmos de perspetiva, tanto quanto a nós próprios como relativamente ao mundo. Destaca o simples facto de fazermos aquilo que amamos e amar aquilo que fazemos. E, se por alguma razão, chegarmos a um ponto em que nos apercebemos que o nosso percurso não tem mais por onde ir, a decisão de desistir não é uma reviravolta e sim apenas uma adaptação e redireção, nunca deixando para trás todo o trabalho que, de certeza, não foi em vão. Esta decisão simplesmente indica que algo maior e melhor está à nossa espera. Ou seja, a vida é imprevisível em todas as suas áreas e, se abraçarmos esta imprevisibilidade, decerto que somos capazes de viver mais felizes.

No final de contas, os nossos sonhos importam, especialmente, porque são nossos. Temos de nos destacar, de ser weirdos, de ser uma Ovelha Amarela no meio de centenas de ovelhas castanhas e não procurar simplesmente encaixarmo-nos em determinados modelos com os quais nos conformamos apenas porque “fazem sentido”. Temos de abraçar a nossa criança interior, quem realmente somos porque, afinal, a vida é demasiado curta para a levarmos a sério. Temos de escrever a nossa história com a nossa própria caneta.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Leonor Oliveira

Editado por: Catarina Soares

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