Após quase três décadas de ligação, a parceria entre Nike e a Seleção Portuguesa chega ao fim e dá lugar a uma nova colaboração com a Puma. Inicia-se um novo capítulo e perante o anúncio dos novos equipamentos, eis uma viagem por algumas das camisolas mais célebres usadas pelos jogadores portugueses.

Em dia de reis, foram anunciados os primeiros equipamentos do início da ligação entre Portugal e Puma. Inscritos sobre o slogan “Faz História”, fazem alusão à rutura com a história e ao início de algo novo, passando-se assim a ideia, como consta no comunicado oficial da FPF de que “a melhor maneira de homenagear os nossos heróis não é falar sobre a história, mas dar à história algo sobre o que falar”. A camisola principal apresenta uma base vermelha clássica, acompanhada de detalhes dourados, verdes e pretos a par de uma gola redonda. Ao passo que a camisola alternativa de base branca (seleção masculina) ou verde menta (seleção feminina) apresenta um design sofisticado, ousado e futurista cujo desenho dá uma sensação de movimento em cores verdes e vermelhas. Para adicionar à novidade também foram anunciadas as camisolas de treino, as de aquecimento e as de guarda redes.
Gostos são subjetivos, não se discutem e raras são as vezes em que o lançamento de novas camisolas de futebol são consensuais entre os fãs. Mas uma coisa é certa: há camisolas que marcam gerações e que respiram história e as da seleção nacional não fogem à regra. Inicia-se um novo ciclo, em direção a um futuro de novas conquistas sem olhar para o passado, mas nunca esquecendo que foi ele e as suas gerações que nos levaram até aqui, ao presente. Portanto, de forma a brindar a um futuro risonho e ao começo de uma nova história, eis alguns dos equipamentos mais icónicos da seleção das quinas, que uniram gerações de portugueses e que marcaram capítulos importantes na história do nosso futebol.
1. Camisola do Mundial de 1966

Fonte: FPF (direita) e Futebol das Quinas (esquerda)
Esta foi camisola da primeira competição internacional de seleções, onde Portugal atuou e destacou-se com um enorme terceiro lugar. Foi a melhor participação lusitana até aos dias de hoje em campeonatos do mundo. Clássica, simples e eficaz é uma camisola de sucesso e furor que ainda se encontra à venda no site oficial da seleção como artigo de coleção.
Apelidados de “Os Magriços”, a armada portuguesa surpreendeu tudo e todos no Mundial de 1966 em Inglaterra. Um tal de “Pantera Negra” era o centro das atenções numa seleção que estava no grande palco pela primeira vez e da qual não se sabia o que esperar. Numa altura em que o futebol português vivia uma década dourada com as conquistas europeias na Liga dos Campeões pelo Benfica e da Taça das Taças pelo Sporting, esta equipa, com inúmeros craques, espantou e maravilhou. Destacam-se dois grandes momentos: a vitória sobre os temíveis bicampeões brasileiros e a competição contra a Coreia do Norte, um dos mais frenéticos jogos de que há memória onde, depois de a equipa das Quinas estar a perder por 3 golos aos 25 minutos, dá a volta para um 5-3 com 4 golos de Eusébio.
Numa altura em que a comunidade e a imprensa internacional não nutria muita simpatia para com o nosso país, dada toda a polémica à volta da guerra colonial, a prestação serviu para acalmar e apagar os ânimos. Durante algum tempo, o foco foi o bom futebol que se praticou, caíndo apenas para a anfitriã e vencedora Inglaterra.
2. Camisolas da Adidas do EURO1984 e de 1992-1994

Fonte: Pinterest (esquerda) e ZeroZero (direita).
Depois de um período de estagnação de 18 anos, a seleção portuguesa estava de volta às competições continentais e desta feita jogava pela primeira vez num europeu, o EURO84. Numa altura em que já começavam a haver patrocínios desportivos nas camisolas, a Adidas era quem vestia a pele da seleção portuguesa. A camisola lusa, com as suas tradicionais cores, tinha um design básico, com apenas umas linhas diagonais no seu desenho, e claro, acompanhada pela moda dos calções curtos bastante acima do joelho e dos “famosos” bigodes e cabeleiras. À partida, é uma camisola bastante vulgar e pouco extraordinária. Mas é o peso histórico que a faz constar nesta lista.
Esta camisola marca uma seleção aguerrida e que lutou até, literalmente, ao último minuto. Acabou por cair para uma poderosa França, que contava com um dos melhores jogadores da sua história, Platini, acabando assim com as esperanças do sonho da seleção dos “Patrícios”. Ainda dentro da era Adidas, a menção a 1992-1994 refere-se não à prestação da equipa (que acabou por ficar aquém das expectativas ao não apurar-se para o mundial de 1994 nos EUA), mas a uma camisola muito à frente do seu tempo. Esta seleção poderia ver pela primeira vez a famosa e apelidada “Geração de Ouro” em ação (nome dado após terem conquistados dois mundiais sub-20 seguidos), contando com jovens talentos como Rui Costa e Luís Figo.
3. Camisola principal do EURO 2000

Esta nova camisola desta vez não tinha tons de verde, apenas dourado (como a geração que o vestia), para além da base pintada de vermelho escuro. Portugal acaba por fazer uma campanha memorável sobre o comando de Humberto Coelho, começando logo na fase de grupos contra uma Inglaterra repleta de estrelas com uma reviravolta por 3-2. Depois, ainda na fase de grupos, no último jogo contra a Alemanha que apenas servia para “marcar calendário”, é aplicado um categórico 3-0. Sérgio Conceição marca os três golos e a equipa portguesa pode finalizar esta fase de forma imaculada, com 9 pontos.
Infelizmente, a campanha perfeita acaba num jogo marcado pela polémica e famosa “Mão de Abel” que acabaria por ditar o fim do sonho e um futebol até então bastante elogiado pela sua qualidade.
4. Camisola principal do Euro 2004

Fonte: OnePtSport (esquerda) Reedit (centro) e UEFA (direita).
A camisola da seleção nacional portuguesa para o Euro 2004 é uma das mais icónicas desta lista. Apesar das dolorosas memórias a que remete, é uma peça de coleção muito procurada por fãs, tendo sido disponibilizada novamente há pouco tempo com uma reedição. Uma camisola usada por uma geração de jogadores como Luís Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo (até então uma jovem promessa), Deco e Ricardo Carvalho. Foi usada numa noite quente na Luz, em que o coração de um país inteiro parou quando Ricardo Carvalho tirou as luvas para defender o penálti. O guarda-redes fez crer uma nação inteira que era possível e que nada podia parar a força do povo português. Simboliza uma equipa, um conjunto de jogadores e um país inteiro unido em torno de um propósito “Ser campeões em casa”. Mesmo com a dolorosa “tragédia grega” trouxeram grande orgulho ao país.
5. Camisola alternativa da seleção feminina para o mundial de 2023

Sob o cunho de “Navegadoras”, esta camisola marca a primeira coleção da Seleção Nacional dedicada exclusivamente à Seleção Feminina durante o Mundial de 2023. Foi realizado na Austrália e Nova Zelândia e assinalou o primeiro mundial feminino em que Portugal participou. Apesar das nossas craques não terem passado da fase de grupos, a equipa das quinas deixou uma boa impressão, lutando até ao fim e conseguindo bater-se com a seleção campeã até então, os EUA.
6. Camisola alternativa do Euro 2024

Num Europeu onde parece ter faltado inspiração, não faltou de certeza criatividade na camisola das quinas. Inspirado nos elementos arquitetónicos do país ao reproduzir os tradicionais azulejos azuis, é uma camisola carismática, inovadora e que foge muito à regra. Foi a última camisola alternativa em colaboração com a Nike e foi sem dúvida, em cheio.
7. Camisola principal e alternativa do Euro 2016

As últimas da lista não poderiam deixar de ser nada mais nada menos do que as camisolas que levaram à tão desejada conquista do Europeu contra a equipa da casa. Com uma beleza tão simples, acabam com anos e anos de sofrimento e com a história do “quase conseguimos”, já que foram utilizadas contra uma seleção que só nos tinha trazido más memórias.
Entre o equipamento vermelho e o equipamento alternativo menta, fica difícil escolher. São magníficas, mas têm também todo um simbolismo pela alegria que trouxeram a um povo inteiro. É, sem dúvida, a camisola mais importante da lista.
8. Camisola alternativa do Euro 2012 e a Camisola alterativa do Mundial de 2014

Estas são duas camisolas caídas no esquecimento, talvez por não terem um peso histórico tão importante como as anteriormente referidas. Ainda assim, creio que são subvalorizadas e merecem um lugar de honra em virtude da sua beleza e estética.
A camisola alternativa do EURO 2012, branca com uma cruz de cristo pintada a vermelho e verde, apesar de não ter marcado, é uma camisola que se destaca. Foi com ela que os jogadores, guiados por um Cristiano Ronaldo numa das melhores fases da sua forma física, venceram uma temível seleção dos Países Baixos numa reviravolta frenética. Dois anos antes, a seleção holandesa estava a disputar a final do mundial até ao prolongamento com os “Nuestros Hermanos”. Tal como eles, acabamos por fatidicamente cair nas grandes penalidades da semi-final deste mesmo europeu. Jogámos contra uma Espanha que, na altura, com grandes nomes como Xavi e Iniesta, parecia ser invencível.
A segunda camisola é a camisola alternativa de 2014, altura em que se celebrava o centenário da fundação da Federação Portuguesa de Futebol e as esperanças para o mundial do Brasil eram altas.
Apesar de não ser uma camisola que tivesse deixado grande impacto, destaca-se pela sua singularidade ao ser um equipamento que apenas usa branco e azul, as cores das quinas. Acaba por fugir à regra, aludindo à história do nascimento de Portugal.
Ainda assim, há um pouco mais de subjetivo nesta minha escolha. Lembro-me como se fosse hoje de ter sido a camisola usada pelos jogadores portugueses no primeiro jogo de Fernando Santos contra a Dinamarca. Ficou-me para sempre na memória esse frente a frente em que a seleção marca um golo no último lance do jogo, ao cair do pano. O nosso capitão ganha a bola nas alturas e cabeceia para o início daquela que viria a ser caminhada em direção à conquista do EURO2016. Foi um golo que me ficou para sempre e que me fez acreditar que era possível. E quer-me parecer que não fui o único.
Este artigo é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Gil Tavares
Editado por: Marta Ricardo


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