Chegamos a 2024 a pensar que o ser humano teria evoluído para melhor. Que temas como a igualdade salarial, de oportunidade e de direitos, tivessem sido ultrapassados. Que ao fim de séculos, o ser humano pudesse ser visto de forma igual, e que o seu género não fosse usado como justificativa para tratar o outro de forma diferente.
Errámos. E continuamos a errar todos os dias.
Um exemplo do nosso erro enquanto sociedade é o Afeganistão. Um país com tanta história, cultura e tradição que utilizando a expressão mais famosa de qualquer filme de ficção “caiu nas mãos erradas”. Mas isto não é ficção, é a realidade que mulheres e meninas têm vivido desde 1996.
Neste mesmo ano, os Talibãs começaram a apoderar-se de todo o território e com todo esse poder foram tirando aquilo que todos nós, população de países do Ocidente, tratamos como algo adquirido e quase que “automático”: o direito à educação, à saúde, à liberdade e à voz.
Muita coisa mudou e a figura da mulher como conhecemos rapidamente foi alterada. Foram-lhes exigidas restrições que em qualquer país democrático não seriam aceites e nada podiam fazer quanto a isso. A mulher deixou de poder sair de casa sem autorização prévia do marido, o uso da burca passou a ser de caráter obrigatório, foram proibidas de exercer qualquer profissão e quando precisassem de tratamentos em hospitais e clínicas, apenas podiam ser atendidas por mulheres. Esta última restrição, obrigou à redução dos cuidados de saúde que passaram a ser mínimos ou até mesmo inexistentes.
Em 2024, vemos uma nova vaga de restrições que mais uma vez, restringe a mulher de usufruir de um direito. Estas impediram a mulher de falar em público, cantar e até mesmo recitar certas palavras do Alcorão como “subhanallah” (significa declarar que Allah está acima de qualquer coisa terrível).
A mulher afegã não é mulher, é uma máquina reprodutora, serva de uma sociedade disfuncional, mas ao mesmo tempo a base da humanidade, necessária e fundamental para preservar a vida humana.
O planeta terra até pode ser uniforme, mas a verdade é que estamos a viver em dois mundos completamente distintos.
Com direitos recusados e liberdades negadas, até que ponto é que viver enquanto mulher é possível?
“Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.”
Escrito por: Adriana Alvim
Editado por: José Pereira


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