Atualmente, as empresas estão cada vez mais focadas em valorizar as soft skills, destacando-se competências como a comunicação, trabalho em equipa, criatividade, adaptabilidade, resolução de problemas, pensamento crítico, inteligência emocional, e a gestão do tempo e de conflitos. Com a crescente integração dos jovens no mercado de trabalho, surge naturalmente a questão: estará o sistema de ensino português a preparar eficazmente os estudantes para se adaptarem às exigências sociais do contexto laboral?

Embora se assista a alterações no ensino com vista à melhor preparação dos alunos para a vida adulta, o ensino sofria, e sofre, sobretudo nos últimos anos, um legado caracterizado por uma hierarquia bastante demarcada nas salas de aula entre aluno e professor, que inconscientemente pode interferir na autoestima e impactar negativamente o desenvolvimento contínuo destas competências essenciais.
A reflexão sobre a possível dualidade presente nos dias de hoje entre o ensino e o trabalho, onde o primeiro continua a ser demasiado tradicional, pode contribuir para o futuro sucesso dos profissionais.
Além disso, o foco em conhecimentos teóricos negligencia o espaço para o diálogo e a troca de ideias, o que também pode apresentar consequências negativas na expressão da criatividade e no desenvolvimento do pensamento crítico. Onde está o tempo para explorar, questionar e compreender? Em contexto laboral, o trabalho em equipa importa a vários níveis como na apresentação de soluções para problemas ou na sugestão de novas ideias. Em contraste, os trabalhos escolares são maioritariamente realizados individualmente, e a avaliação é feita de acordo com critérios pré-estabelecidos que tipicamente não consideram a inovação ou a criatividade. O objetivo é maximizar a nota final, e não a aprendizagem contínua, que deve assumir tanto os erros como os sucessos.
De um modo geral, o sistema educacional português ainda apresenta lacunas na modernização dos conteúdos programáticos. Repare-se, por exemplo, na ausência sentida pela maioria dos jovens de conhecimentos que são exigidos na vida adulta, sobretudo de literacia financeira, em que por vezes se veem “forçados” a procurar em meios alternativos como as redes sociais. À semelhança do que pode acontecer com o desenvolvimento social e emocional dos alunos, que muitas vezes é gerido autonomamente. Ao longo da vida escolar há um grande incentivo para o estudo intensivo. Contudo, seria benéfico balançá-lo com atividades que promovem o desenvolvimento integral dos alunos, uma vez que no ambiente de trabalho, cada vez mais se procura e valoriza além da inteligência intelectual, a inteligência emocional.
O método de ensino hoje aplicado privilegia os conceitos teóricos e a capacidade de memorização, esquecendo o desenvolvimento prático, o que poderá ter consequências na adaptação e resolução de conflitos naturais que possam surgir nas interações sociais, bem como na contribuição para a inovação e para a produtividade no local de trabalho.
Importa, assim, apelar para um sistema educacional que promova a integração dos alunos no mercado de trabalho, formando profissionais, não só tecnicamente competentes, mas também emocionalmente preparados para os desafios atuais e futuros.
Este artigo é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Ana Filipa Nunes.
Editado por: Marta Ricardo.

Deixe um comentário