O Que Aconteceu?
No passado dia 11 de maio, decorreu em Malmö, na Suécia, a grande final do Festival Eurovisão da Canção 2024. Após um evento marcado por um constante clima de tensão, Nemo, com a canção The Code, triunfou na competição, dando a terceira vitória à Suíça na Eurovisão.

Portugal conseguiu alcançar a décima posição no concurso, tendo mesmo ficado classificado em sétimo lugar na votação dos júris dos vários países a concurso. No televoto, a classificação foi manifestamente inferior (20º lugar), o que relegou o país à sua classificação final.

Quem reclamou o ouro na competição foi Nemo, com a canção The Code, potenciando a terceira vitória suíça na competição. O país terminou a votação com 591 pontos, tendo ficado classificado em primeiro lugar na pontuação atribuída pelos júris nacionais, mas apenas alcançando o quinto lugar no televoto que foi ganho pela Croácia, representada por uma das sensações desta temporada eurovisiva, Baby Lasagna, com Rim Tim Tagi Dim. Apesar da Croácia ter ficado classificada em terceiro lugar na votação do júri, não foi suficiente para suplantar a já muito extensa vantagem que Nemo levava neste segmento concreto da votação.


“Grito” foi a canção interpretada por Iolanda, a representante de Portugal e da RTP no Festival Eurovisão da Canção 2024. Também a sua participação deu que falar nesta grande final. A pintura das unhas de Iolanda que podíamos observar na sua atuação da grande final fazia alusão aos keffiyehs palestinianos, um dos símbolos da resistência do país. Após a performance estar concluída, e ao contrário do que aconteceu com as restantes delegações, o vídeo da atuação portuguesa na grande final não foi, de imediato, publicado nas redes sociais do concurso televisivo. O vídeo veio a ser publicado sensivelmente uma hora depois após troca de emails entre a delegação portuguesa e os respetivos responsáveis da União Europeia de Radiodifusão (UER/EBU).
A participação israelita foi tema central nesta edição do Festival Eurovisão da Canção, entre fãs, mas também artistas e delegações. Devido ao conflito entre Israel e a Palestina, alguns membros da comunidade de fãs da Eurovisão foram bastante vocais sobre a necessidade de excluir Israel da competição da mesma forma que sucedeu com a Rússia após a invasão à Ucrânia. Apesar destes apelos a que se juntaram inclusive algumas figuras públicas não necessariamente ligadas de forma direta ao concurso, a União Europeia de Radiodifusão (UER/EBU) não impediu a participação israelita no certame. Israel foi representado por Eden Golan e alcançou o 5º lugar, bastante influenciado pelo 2º lugar que obteve no televoto.

A exclusão dos Países Baixos da competição deu também que falar. Nunca um país havia sido excluído de uma edição da Eurovisão após o começo efetivo do programa. Joost Klein com a sua canção Europapa, após um alegado incidente de backstage, foi excluído da competição depois da segunda semifinal na qual ainda participou. De facto, os Países Baixos ficaram classificados na segunda posição na semifinal, apenas ficando atrás de Israel por uma diferença de 12 pontos numa votação em que o destino dos concorrentes é única e exclusivamente decidido pelo público votante através do televoto. Quem também participou nesta semifinal foi a triunfante Suíça que não passou o quarto lugar, colocando-se assim atrás da Arménia por uma diferença de cinco pontos.

Sabe-se até ao momento que, alegadamente, Joost Klein terá concluído a sua performance da segunda semifinal e no momento em que se deslocava para a Green Room, local onde os artistas vêem o espetáculo e aguardam as suas pontuações, terá sido gravado por um membro da produção do evento. Repetidamente, o artista terá manifestado a sua vontade de não ser filmado naquele momento concreto. contudo, o membro da produção não deverá ter acedido a essa manifestação. Joost, verificando-se estes fatores, terá danificado a câmara do membro da produção o que levou a uma consequente denúncia que espoletou uma investigação aos acontecimentos referidos.
A emissora responsável pela participação dos Países Baixos na Eurovisão, AVROTROS, encara agora com dificuldade uma participação do país na edição de 2025 caso não se registem mudanças no formato do programa que garantam o bem estar psicológico dos artistas e uma melhor gestão do concurso. A decisão final sobre a participação neerlandesa no Festival Eurovisão da Canção 2025 deverá apenas ser conhecida em setembro.
Os comentadores neerlandeses teceram palavras muito duras ao Supervisor Executivo do concurso, Martin Österdahl, expressando o descontentamento pela exclusão e pela forma como a edição de 2024 da Eurovisão estava a ser gerida. Chegaram mesmo a utilizar a expressão “eat your heart out” (come o teu coração) referindo-se a Österdahl enquanto este estava a ser vaiado pelo público que assistia ao programa na Malmö Arena.
O Que Vai Acontecer?
Neste momento, é tempo da Suíça perceber em que cidade será hospedada a Eurovisão 2025. Após a vitória, o país ganha a oportunidade de receber o evento, contudo, as cidades têm de apresentar candidaturas para hospedar o programa de televisão da EBU. Sabe-se que já só duas candidaturas seguem em frente na consideração final. São elas as de Basileia e Genebra, ficando para trás ou sendo abandonadas as candidaturas de Berna e Zurique.

As preparações para o Eurovision Song Contest 2025 registam um dinamismo fora do comum após a onda de contestação registada na edição de 2024. Vão ser realizadas mudanças na gestão do concurso. Apesar do diretor Martin Österdahl se manter como Supervisor Executivo do Festival Eurovisão da Canção, as suas funções vão ser agora espalhadas por outros cargos.. Justificaram este facto devido ao crescimento do programa. – O maior crescimento resulta em mais desafios e são necessários mais recursos humanos para conseguir gerir bem a competição internacional. Deste modo, foram criados os cargos de Diretor do Festival Eurovisão da Canção e de Chefe de Marca e Comercial do Festival Eurovisão da Canção que visam “simplificar as responsabilidades do Supervisor Executivo”, sendo que o primeiro vai supervisionar o trabalho do mesmo.
Após uma análise independente à condução dos trabalhos na Eurovisão, para além de se terem criado os cargos já referidos, identificaram-se também três áreas de maior destaque que devem ser abordadas pela organização: a “governance” e participação da/na EBU; segurança e gestão de risco; envolvimento da audiência, dos fãs e dos media. Melhorando estas áreas, procura-se melhorar a experiência dos vários stakeholders do concurso internacional, evitando situações como as que ocorreram em Malmö.

Apesar de toda a polémica instaurada em torno da participação israelita, não é de esperar que a União Europeia de Radiodifusão (UER/EBU) venha a proceder com a exclusão, dado que entendem que qualquer emissora que tenha independência na condução dos seus trabalhos e que seja pertencente à União Europeia de Radiodifusão (tendo as suas contas e obrigações em dia para com esta organização) deve ser autorizada a participar no certame.
A empresa Moroccanoil continuará a ser patrocinadora oficial do Festival Eurovisão da Canção 2025, informação que já foi divulgada no seu site. A empresa israelita com sede em Nova Iorque continuará assim a honrar um acordo firmado em 2020 para patrocinar o evento durante 5 edições.
Até agora, a RTP ainda não emitiu um comunicado oficial sobre a participação no Eurovision Song Contest 2025 ou sobre a realização do Festival da Canção 2025. Nos próximos meses espera-se um anúncio nesse sentido, sendo provável que Portugal permaneça na competição.
Escrito por: José Pereira
Editado por: Joana Matos


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