O papel transformador da música na sociedade

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Desde o seu surgimento, na pré-história, a música é um meio de linguagem e, mais que isso, uma manifestação artística que desempenha um papel fulcral na formação do ser humano, por representar uma via para a criação e comunicação entre os Homens. A música, mais concretamente, é um dialeto constituído por ritmos e sons, apta para despertar e exprimir sentimentos e emoções.

Desta forma, é possível afirmar que a música é mais do que uma forma de entretenimento: a música permite entrar em contacto com diferentes culturas e conhecer diversos contextos históricos, facilitando a compreensão de grupos sociais. É uma ferramenta que estimula uma sequência de valores vultosos para qualquer sociedade. É uma arte que promove a cidadania e a inclusão social. É um instrumento de transformação social. Como dizia Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, ouve-se música com os músculos, portanto a música é capaz de revolucionar o mundo, ao entrar na vida de cada pessoa. Esta tem a capacidade de moldar emoções, influenciar o comportamento humano e, até mesmo, mover mundos por conseguir com que as pessoas se conectem entre si num nível profundo e significativo e, na maior parte das vezes, esquecer as complicações diárias. Os jovens, por exemplo, costumam utilizar a música como um meio para se compreenderem e encontrarem o seu lugar no mundo, através da conexão intensa com as letras.

Ao longo de toda a história, a música desempenhou uma missão crucial nos movimentos sociais e políticos, desde canções de protesto a hinos de solidariedade, dando voz à luta pela justiça social e quebrando barreiras culturais. A música é capaz de partilhar os valores e as experiências de quem a cria com os seus consumidores, transformando vidas.

De tal modo, está presente no artigo 27º da Declaração Universal dos Direitos Humanos o direito de acesso à cultura: “Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam”. A música, como arte e como linguagem universal, tem o poder de desempenhar um papel essencial no combate à desigualdade. Apesar do acesso ainda não conseguir alcançar todos, existem diversos projetos sociais, cujo maior objetivo é a união e a integração social de crianças e jovens provenientes de contextos sociais e económicos frágeis, como é o caso da Orquestra Energia Fundação EDP, que lhes dá acesso à formação musical.

Fonte: Fundação EDP.

“We Are the World”, a canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie, é um dos mais importantes exemplos da capacidade de mudança e apelo à igualdade e justiça mundiais, através da música e da união do ser humano. Esta canção conta com a participação de 45 cantores norte-americanos, no projeto USA for Africa (United Support of Artists for Africa), cujo principal objetivo era angariar fundos para o combate à fome e às doenças no continente africano. O single, o álbum e o videoclipe juntos lucraram cerca de 55 milhões de dólares. Desde o seu lançamento, inspirado no single “Do They Know It´s Christmas?” do grupo britânico Band Aid, foram gravadas inúmeras canções com o mesmo fim: abordar questões humanitárias e de trazer a atenção das pessoas, de forma a lutar pelas mesmas.

Fonte: Discogs.

Assim, a música tem o poder de dar voz aos oprimidos, que se esforçam por alcançar direitos básicos de igualdade, consciencializando populações através de um meio universal que une toda uma sociedade.

Escrito por: Constança Paulo.

Editado por: Marta Ricardo.

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